
Desde criança ouço essa expressão "Dia de muito, véspera de nada". Minha avó, depois dos dias de festa, falava que ficava cansada. Minha mãe sempre se sente triste depois de um dia muito alegre. Quando bebemos muito, temos ressaca. Quando comemos demais, sentimos os efeitos no sistema digestivo. Depois de um carnaval, então, ficamos vários dias assim, meio entre o céu e a terra, ou entre o céu e o inferno...
Já li que todo o universo tem seus pontos altos e baixos, e houve uma época em que era moda falar em biorritmo (se quiser fazer o seu, clique
aqui). O que nunca esqueço foi uma afirmativa de que atualmente viveríamos uma fase muito pobre artisticamente - na verdade afirmavam que a fase boa já teria alcançado o seu ápice em torno dos anos 60, e depois decairia.
(#fato.)Não vou descambar para a filosofia, que não é o meu forte, mas vou falar de mim, é para isso que tenho este blog. O fato é que o ano passado para mim foi um pico em vários sentidos. Aconteceram muitas coisas. Em todas as esferas de minha vida, foi um ano em que entrei em erupção. Fiz e falei tudo o que tinha vontade. Criei uma personagem virtual que hoje é meu alter ego, e acho a minha pessoa um tanto sem graça perto dela.
Este ano estou em um vale emocional, físico, espiritual e profissional. Sinto como se tivesse jogado para o alto tudo o que tinha em minha vida e agora estou tentando catar no chão, entre o que restou, o que realmente tem valor para mim. É um ciclo que se fecha. Sinto uma nova vida pela frente, mas ainda está tudo muito difuso. Sinto que tenho que tomar decisões, mas não me forço mais. Estou tomando o meu tempo.
Tento recuperar uma coisa de cada vez. A saúde mental foi a primeira; procurei ajuda enquanto precisei. Agora estou cuidando da minha parte física. Meu lado espiritual tem me dado vários chamados e não tenho escutado; sei que em breve terei de cuidar disso. Ele é muito forte e influencia todo o resto da minha vida. Porque é de meu espírito que tiro forças para todo o resto.
Meu lado social está, no momento, se recolhendo um pouco. Não me cobro. Já pensei até em parar com o blog, porque tem horas que parece que ele não tem mais razão de ser. Ainda tenho que arrumar forças para resolver o meu ponto de transcendência: minha profissão. Ela é a única coisa que vai me pertencer por toda a vida. Nem amigos, nem filhos, nem marido, nem familiares... apenas a profissão acompanha um ser humano por toda a sua vida, e é nela que tudo se apoia.
O momento em que você enviuvar ou se divorciar, que seu filho for estudar fora ou seu melhor amigo for embora para o exterior, a hora em que você começa a perder seus parentes próximos; quando todos lhe viram as costas, quando você começa a perder a beleza física e o frescor da juventude... enfim... sempre acreditei nisso: é na profissão que você se agarra. Ela lhe dá a chance de ser alguém no mundo e fazer diferença.
E é esse meu principal problema atualmente: não me sinto mais útil em minha profissão. Cheguei em um ponto em que não há mais desafios intelectuais, e as barreiras para fazer o que eu acho certo me parecem intransponíveis. Estamos também chegando ao fim de mais um ano, e a perspectiva de em breve fazer (mais um?) aniversário, e todas aquelas festas e rituais, nada disso me alegra nem um pouco.
Hoje vinha pela rua pensando... quero parar um pouco. Com tudo. Meditar. Respirar fundo. Ficar alguns momentos sem fazer nada. Eu mereço. Mereço um pouco de
nada.