
Pude passar uns dias com uma grande mulher que conheço e que é minha amiga há anos. Conversamos muito, bem menos do que eu gostaria... Pensando nela e em outras que conheço, chego à conclusão, mais uma vez, de como é difícil para as mulheres maravilhosas serem felizes. O problema básico? Inteligência. Poder.
Homens não podem com isso. Para não ouvir tantos gritos, vá lá, 99,99% deles não podem. Porque as mulheres maravilhosas se fizeram sozinhas. Saíram da barra da saia dos pais e das mães, estudaram enquanto moravam sozinhas e trabalhavam, e ainda encontravam tempo para receber os amigos e colegas em sua casa ou apartamento de estudantes.
As mulheres maravilhosas tinham namorados quando eram jovens. Mas parece que não dava certo, parece que nunca estavam no mesmo tempo. Elas, sempre à frente. E elas continuaram lutando. Se formaram, abriram o próprio negócio em meio a uma selva de pedra e trabalharam mais do que escravas.
Quando o relógio biológico, nosso velho e implacável conhecido, cutucou, a mulher maravilhosa sentiu necessidade de casar, constituir família. Se sentia meio que um ET, todo mundo casando, só ela ficando "para titia". Acabou dando um tiro no escuro e acertou.
Acertou em alguém que não valia nada, mas que veio a ser pai de seu filho. Lutou para que desse certo. Surtou quando não aguentou mais. Mas, como é maravilhosa, continuou sempre em frente, sem depender nunca de ninguém para subir degraus cada vez mais altos. E tocou sua vida, comprou sua casa, seu carro, seu celular top de linha.
Sempre sozinha. Cuidando do negócio, da casa, do filho, até dos parentes e amigos. Sempre trabalhando como uma - louca? - não, como uma mulher maravilhosa. Fez MBA. Acumula cargos de responsabilidade. Faz ambrosia como ninguém mais no mundo. Faz artesanato, sempre está estudando, sempre ensinando e corrigindo o filho, dá atenção e sábias palavras para quem está com problemas.
Mesmo estando enlutada, a mulher maravilhosa tem sempre uma palavra bem humorada para quem quer que encontre no caminho. Porque ela tira leite de pedra, aprendeu isso com a vida e a vida também lhe ensinou que quem quer, tira realmente leite de pedra. Mesmo após uma semana de trabalho árduo, encontra tempo para levar crianças para passear e para tomar um chopp com as amigas.
Ela é a mulher maravilhosa. Mas quem vê isso? As outras mulheres maravilhosas. Ou aquelas que, como eu, têm orgulho de conhecê-la e saber que podem contar com ela, e que ela vai ouvir e dizer o que pensa ser correto, e não o que acha que gostaríamos de ouvir.
A minha sincera homenagem aqui às mulheres maravilhosas. Elas estão mudando o mundo e tomando conta. Os homens - 99,99 % deles rsrsrs - não sabem o que fazer com elas. Preferem ficar à distância, ou à espreita. Tiram uma lasquinha delas, de vez em quando, tentando saber se têm culhões para lidar com elas. Duvido que tenham. Porisso elas têm dificuldade de ser felizes: os outros esquecem de que, antes de serem maravilhosas, elas são apenas mulheres.








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