quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Mulheres Maravilhosas


Pude passar uns dias com uma grande mulher que conheço e que é minha amiga há anos. Conversamos muito, bem menos do que eu gostaria... Pensando nela e em outras que conheço, chego à conclusão, mais uma vez, de como é difícil para as mulheres maravilhosas serem felizes. O problema básico? Inteligência. Poder.
Homens não podem com isso. Para não ouvir tantos gritos, vá lá, 99,99% deles não podem. Porque as mulheres maravilhosas se fizeram sozinhas. Saíram da barra da saia dos pais e das mães, estudaram enquanto moravam sozinhas e trabalhavam, e ainda encontravam tempo para receber os amigos e colegas em sua casa ou apartamento de estudantes.
As mulheres maravilhosas tinham namorados quando eram jovens. Mas parece que não dava certo, parece que nunca estavam no mesmo tempo. Elas, sempre à frente. E elas continuaram lutando. Se formaram, abriram o próprio negócio em meio a uma selva de pedra e trabalharam mais do que escravas.
Quando o relógio biológico, nosso velho e implacável conhecido, cutucou, a mulher maravilhosa sentiu necessidade de casar, constituir família. Se sentia meio que um ET, todo mundo casando, só ela ficando "para titia". Acabou dando um tiro no escuro e acertou.
Acertou em alguém que não valia nada, mas que veio a ser pai de seu filho. Lutou para que desse certo. Surtou quando não aguentou mais. Mas, como é maravilhosa, continuou sempre em frente, sem depender nunca de ninguém para subir degraus cada vez mais altos. E tocou sua vida, comprou sua casa, seu carro, seu celular top de linha.
Sempre sozinha. Cuidando do negócio, da casa, do filho, até dos parentes e amigos. Sempre trabalhando como uma - louca? - não, como uma mulher maravilhosa. Fez MBA. Acumula cargos de responsabilidade. Faz ambrosia como ninguém mais no mundo. Faz artesanato, sempre está estudando, sempre ensinando e corrigindo o filho, dá atenção e sábias palavras para quem está com problemas.
Mesmo estando enlutada, a mulher maravilhosa tem sempre uma palavra bem humorada para quem quer que encontre no caminho. Porque ela tira leite de pedra, aprendeu isso com a vida e a vida também lhe ensinou que quem quer, tira realmente leite de pedra. Mesmo após uma semana de trabalho árduo, encontra tempo para levar crianças para passear e para tomar um chopp com as amigas.
Ela é a mulher maravilhosa. Mas quem vê isso? As outras mulheres maravilhosas. Ou aquelas que, como eu, têm orgulho de conhecê-la e saber que podem contar com ela, e que ela vai ouvir e dizer o que pensa ser correto, e não o que acha que gostaríamos de ouvir.
A minha sincera homenagem aqui às mulheres maravilhosas. Elas estão mudando o mundo e tomando conta. Os homens - 99,99 % deles rsrsrs - não sabem o que fazer com elas. Preferem ficar à distância, ou à espreita. Tiram uma lasquinha delas, de vez em quando, tentando saber se têm culhões para lidar com elas. Duvido que tenham. Porisso elas têm dificuldade de ser felizes: os outros esquecem de que, antes de serem maravilhosas, elas são apenas mulheres.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Detalhes tão pequenos de nós dois


Faz mais ou menos 1 ou 2 meses que eu sigo você no twitter, gosto muito do que você escreve, conheci seu blog e estou aqui agora. Já perguntei algumas vezes no seu formspring, gosto de ver as perguntas que fazem para você e suas respostas. Me ajudou um pouco no jeito de pensar. Te agradeço por isso. Queria fazer mais algumas perguntas.
No post que você colocou no seu blog... (Até tive um que era músico, era bem quente na cama e também era "família" quando tinha que ser. Mas se vestia mal pra burro... o dia em que apareceu de tênis branco lá em casa caí do cavalo e o troquei pelo cozinheiro hehehe Na verdade, namoramos um tempo e terminamos, e ele fez uma música para mim falando "no segundo mês, eu dancei" por que eu falava pra ele que meus namoros não duravam mais de 2 meses...)
Sinceramente, eu acho que pelo simples fato dele não te agradar no jeito de se vestir, é motivo para desistir de tentar se relacionar? Não sou experiente no assunto, mas às vezes quando eu vejo situações desse tipo, um simples gesto comum, você largar a mão de alguém por isso... Pra quem está começando agora, assusta um pouco vendo respostas desse tipo srsr
Você não acha que existe alguém perfeito? Que no seu caso, se ele gostasse muito de você, o ajudaria no jeito de vestir? Entrar em um acordo? Como eu disse, eu leio sobre você, e algumas coisas eu gosto e não gosto, é isso que me intriga e faz querer mais.
Adoro estar do lado de alguém, que me faz bem, feliz, se importe comigo, pergunte como foi meu dia de trabalho e outras coisas. Tenho certeza de que você vai dar uma resposta que vai me ajudar muito.
O seu formspring vai voltar? Tem outro jeito que eu possa perguntar para você? Mais uma vez, agradeço o seu tempo e paciência. Aguardo resposta.
Resposta da Mulher de 40
Em primeiro lugar, obrigada por escrever. Estou fora do Formspring e sem data para voltar, se ler os últimos posts do blog talvez tenha alguma idéia de que não andam acontecendo coisas boas comigo.
Veja bem, usei o exemplo do tênis branco para mostrar que pequenos sinais podem dar a dica de que a pessoa que está ao seu lado pode não ser exatamente como você sonhou.
Só que quando estamos nos apaixonando, não vemos esses sinais porque não queremos ver nada de ruim naquela pessoa, apenas as coisas boas. Se, no caso, eu fosse querer ajudar a pessoa a se vestir melhor, já estaria querendo mudá-la para ficar como EU quero e não como ela é de fato, e com a experiência que tenho sei que as pessoas só mudam quando ELAS QUEREM, e não quando NÓS QUEREMOS.
Daí, essas pequenas diferenças vão tomando uma proporção cada vez maior. Então, ou você aceita a pessoa como ela é, e que não vai mudar, ou fica brigando com ela.
Estou te dando a minha opinião, tem muitas mulheres que pensam diferente e são mais parceiras do homem que está ao seu lado. Talvez eu realmente seja um pouco egoísta ou nessa fase da minha vida não queira mais um homem que eu tenha que ajudar a melhorar. Meus relacionamentos não dão muito certo por que eu tenho uma tendência forte a dominar a relação, e isso me cansou.
Se você encontrar uma mulher mais calma e mais parceira do que eu - rsrs - pode ser que os dois queiram ir mudando para se ajustarem. Mas isso também é uma coisa que ambos terão que descobrir - ou seja, se querem mudar um para o outro.
Beijos e escreva sempre que quiser!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Avatar



Fui assistir ao filme Avatar. Lindíssimo. Chorei ao assistí-lo. Durante o filme, comecei a viajar nos meus pensamentos, também em parte devido ao comentário que um leitor deixou no post Momento foda-se.
Acho que durante o processo de escrever este blog, acabei criando um Avatar de mim mesma. Uma pessoa que existe em mim mas que não é a minha realidade. E quando eu estou investida no meu avatar, sou tudo aquilo que quero ser. Mas quando apago o histórico de navegação, volto a ser aquela que eu devo ser por obrigação e convenção.
Realmente, de acordo com o comentário recebido, eu tenho a sina de ser abandonada mesmo sendo a mulher da vida de alguém. Já fui abandonada e estou sendo de novo. Apesar de "criativa, ousada, apaixonada, alegre e apimentada", sou facilmente descartada. Isso acontece por que os homens não aguentam a minha natureza? Por que eu não me deixo acomodar? Já não importa mais.
Sou aqui, como disse na resposta ao comentário, uma diversão para os que me lêem. Serei facilmente esquecida assim que deixar o palco. Restarei sozinha no meu canto ao se apagarem as luzes e ao sair o último espectador. Os que dizem que pensam como eu na verdade esperam que eu fale de uma forma e aja de outra. Por que também não têm coragem de agir de maneira rebelde, embora aplaudam os que assim se manifestam.
No processo de criação desse avatar de mim mesma, fui inventando e aprofundando várias facetas, de acordo com o que sentia de retorno. Ninguém escreve um blog para não ser lido. Comecei por terapia e a coisa acabou tomando um curso próprio. Escrevia em parte o que pensava e em parte o que imaginava que agradaria a um determinado tipo de público. E tive um bom retorno, nesse sentido... descobri que no mundo blogueiro é mais ou menos como na música... o que vende mais de um milhão de cópias não presta!
Agradeço ao meus leitores e a todos que se envolveram comigo. Agora estarei iniciando uma nova etapa em minha vida, com certeza. Não sei bem ainda qual será esta etapa. Mas com certeza não paro mais de escrever, pois é uma coisa que me completa. Mas, talvez daqui para frente a Mulher de 40 seja uma pessoa diferente. Mais real? Talvez. Mais inventada? Quem sabe?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Bola de cristal


Quando a gente está em um relacionamento, frequentemente escutamos as pessoas dizerem que devemos falar o que queremos para o parceiro, que ninguém tem bola de cristal para adivinhar o que pensamos. Os homens também adoram dizer que um dia queremos uma coisa e no outro queremos outra bem diferente. E quando estamos reclamando ou surtando, todos adoram nos chamar de loucas.
Ok, você está iniciando um relacionamento e conhecendo alguém. Óbvio que deve falar o que pensa, dizer o que gosta e pedir o que está querendo. Afinal, estão se conhecendo. E você também não é louca de surtar com um novo pretendente, né... Então muito certo que seja bem sincera e diga tudo o que está incomodando e também o que está adorando.
E quando faz anos que você já está com alguém? Também tem que estar sempre falando e, em alguns casos, desenhando aquilo que gosta em um banner para o outro entender? Será que o tempo não foi suficiente para que vocês se conheçam o suficiente para saber o que o outro gosta ou não? Aí você surta e você é a louca? A eterna insatisfeita?
Se estamos mudando, o outro deveria ter noção disso. Sentir que a coisa está indo para outros caminhos. E tentar saber se ainda se encaixa nisso tudo. Ou tentar acompanhar, se isso lhe faz bem. Se sente que você está insatisfeita ou distante, tem que tentar saber o porquê. Mas, como sempre, são os homens que acabam deixando pra lá... ninguém gosta de discutir relacionamento, afinal - nem eu, que sou mulher.
Não se trata de discutir relacionamento, embora muitas mulheres gostem de apelar para isso. Se trata de envolver o outro na sua vida. Mostrar no quê você está mudando. E lembrar que a outra pessoa que está ao seu lado há tanto tempo tem que ser valorizada e lembrada. E principalmente... seduzida.
Já enfrentei dois casamentos. O que falta? Sedução. Envolvimento. Dedicação ao relacionamento. De vez em quando, olhar para a mulher como se fosse a primeira vez. Mulheres mais facilmente se mantêm apaixonadas, e qualquer ciuminho que venham a sentir já mostra isso. Eu mesma, quando sinto ciúmes me apaixono de novo, com a mesma intensidade. Mas os homens caem na monotonia, se acomodam e acham graça quando a mulher "surta".
Assim, passamos a ser a louca, a má, a mulher com TPM, a depressiva, a chata. Será que estamos sapateando para sermos vistas e lembradas, como crianças que fazem arte para chamar atenção? Ou será que é o nosso subconsciente pedindo para sermos seduzidas?
Eu não sou mulher de discutir relação. Sou mulher para ser notada e seduzida. Muito simples. Quero ter de vez em quando a primeira noite de volta. Quero a paixão, o reencontro, o mistério. Quero lua de mel. Quero ser agarrada de repente, por trás, ganhar uma mordida no pescoço e um convite bem safado. Quero ser levada pelos sentimentos mais vezes, quero fechar os olhos e me entregar sem vergonha, sem pudores e com muita paixão.
(Se você é mulher, provavelmente está me dando razão em quase tudo... mas, mais uma vez, é VOCÊ que está lendo isso e, no máximo, talvez venha a mostrar para o seu homem, e dificilmente ele vai ler com atenção. Se você é homem, parabéns, deve ter uma mulher de sorte ao seu lado, ou logo terá, porque você se preocupa com ela!)
Beijos... sempre apaixonados!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Afinidade - Artur da Távola


Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras, é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Não é sentir nem sentir contra... Nem sentir para... Nem sentir por... Nem sentir pelo... Afinidade é sentir com.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber... É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram, foram apenas oportunidades dadas pela vida.
Artur da Távola

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Adoro!


Não tenho medo da minha companhia. Sempre brinquei sozinha quando era criança, ou no máximo com uma amiguinha. Hoje, continuo sendo assim, só com uma amiguinha, ou uma de cada vez... acho que fico com ciúmes quando tem mais gente e não me dão a devida atenção rsrsrs. Não! O fato é que detesto muita gente junto, a gente não consegue ouvir o que cada uma tem a dizer.
Se a gente se sente bem consigo mesma, não tem medo da solidão. Enfrenta tempestades com serenidade. Deseja a liberdade e a solidão, às vezes. E isso passa para o exterior, para a expressão de bem estar. Para a beleza exterior, também.
Quando uma pessoa não se sente bem sozinha, se torna ansiosa e fica dependendo das outras para tudo. Fica pedindo coisas. Tentando ser o centro das atenções. Não ouve os outros, só ouve a própria voz. Incrível, mas é aí, quando mais deseja e precisa de atenção, que a pessoa mais afasta os outros.
Também é bom ficar só quando não estamos bem. Assim podemos acariciar o nosso ego sem incomodar os outros. Comer aquele chocolate escondidos, ouvir aquela música que nos faz bem ao coração, deixar o MSN invisível e não atender ao telefone. Passado o momento, voltamos à realidade mais fortalecidos, com coragem para encarar o inevitável.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Clarice Lispector

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