
Várias vezes na vida me deparei com situações em que precisei começar de novo. Comecei um curso, não parecia ser o mais adequado na época, larguei e fui fazer outro. Me formei, mudei de cidade e comecei tudo de novo - pois era desconhecida profissionalmente lá. Separei do primeiro marido... e comecei tudo de novo. Tentei mudar de cidade, não deu certo mas recomecei na mesma cidade, porém com outra cabeça.
E assim eu sou, sempre recomeçando, reconhecendo alguns erros, cometendo outros tantos. Sempre procurando acreditar no que faço. Quando não acredito no que estou fazendo, entro em um espiral decrescente que me leva cada vez mais para baixo. Fico deprimida. Mudo até as feições do meu rosto. Envelheço. Não deixa de ser o começo de uma morte. A morte de alguma coisa que acreditava ser bom mas que deixou de ser.
Quando a gente é sozinha, é fácil recomeçar, mudar, zerar a conta. A gente sai de casa - ou sai "da" casa - e quando volta, está tudo exatamente no mesmo lugar que deixamos. Ninguém bagunçou, ninguém arrumou também. Nossas decisões só afetam a nós mesmos. Mas quando temos outras pessoas dependendo de nossas decisões, aí o bicho pega. Porque não é tão fácil assim voltar para casa. Às vezes até nem encontramos mais o caminho de casa. Ou quando chegamos lá, as coisas estão diferentes.
Então me sinto como aquelas naves espaciais de filmes de ficção... esperando uma "janela" para entrar de novo na atmosfera. Essa janela pode nem existir mais. Ou posso ter que esperar mais por ela. Porque quem sai "da" casa e um dia quer voltar, encontra tudo mudado. Os outros também mudam. Talvez até nem tenhamos mudado tanto assim, apenas deixamos cair as máscaras que usamos durante o tempo que nos pareceu bom usá-las.
Em todos os recomeços de minha vida, me deparo com a mesma verdade. A dos meus erros. Mas como descobrir a verdade sem errar? Como saber se o perfume é bom apenas pelo rótulo? Como voltar atrás depois de apagar as próprias pegadas? De que vale a vida sem arriscar? Quando é o momento de parar e realmente mudar?
Como em todos os meus recomeços, dessa vez quero aprender também. Aprender que nunca é tarde. Que se tenho força para ir em frente, também tenho força para enfrentar o mau tempo. Quero aprender um caminho novo, onde ser feliz também signifique fazer feliz. E aprender a me perdoar, afinal sou apenas um ser humano. E ninguém segue em frente olhando para trás.
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Chico Xavier













