
Já falei muito aqui no blog sobre casamento. Sempre para detonar. Afinal, a vida toda tive problemas com relacionamentos. Algumas leitoras vêm aqui defender o relacionamento a dois. Ótimo. Agora passo a entendê-las.
Depois de praticamente 2 separações, uma definitiva e outra que não passou de uma ameaça, desfeito um casamento e outro empurrado com a barriga durante algum tempo, aconteceram coisas que me fizeram pensar diferente.
A distância foi uma delas. Quando estamos vivendo uma rotina há praticamente dez anos, e deixamos ela levar nossa vida para a frente, ao invés de conduzirmos a vida como capitãs, tudo vai sendo encoberto por um véu de desapontamentos e reclamações mesquinhas.
Vamos deixando de ver o outro com suas qualidades e passamos a ver apenas os defeitos, as coisas que nos incomodam, nele e nas coisas que faz; o que diz, os amigos que têm e por aí afora. Como me falou uma amiga... "Até o jeito como ele pega os talheres me irrita!"
E o tempo vai passando, o trabalho e a rotina nos cobrem de poeira, até que um dia a gente tenta sair dali de qualquer forma. No meu caso, foi tendo um caso. Achei que com isso iria revolucionar minha vida.
Serviu para muita coisa. Sacudiu minhas estruturas, me fez mudar e ver que a rotina é culpa minha em primeiro lugar. Mas o tempo passou e levou o que aconteceu para o passado. Tirado o véu da rotina, pude ver certas coisas de forma diferente.
Depois de tirar um tempo para mim mesma e mudar de cidade, lutando contra minha própria acomodação em todos os sentidos - profissional, familiar, amoroso, maternal, social - senti que poderia fazer muito. Mas não queria mais fazer tudo isso sozinha.
A distância me mostrou o valor das pequenas coisas, que de perto eu não via. Senti que poderia ter uma rotina, sim, e ser feliz apesar dela. Porque tudo vira rotina. Mas ser amada pode, sim, ser uma deliciosa rotina. Dividir as coisas boas e os problemas é uma bênção. Chegar ao fim do dia e contar com a simples presença do outro é maravilhoso.
Ter uma pessoa para ajudar em tudo, com quem podemos contar nas horas ruins, que nos dá o apoio para seguir em frente, não é mais para mim confissão de fraqueza ou dependência. Hoje entendo que sempre fui forçada a ser independente, e tomei isso como lei, transformando em regra de vida.
Mas ser independente não significa apenas ser só. Ser independente também pode significar ser individual - mas ser um indivíduo
com outro na sua vida. Ter seus momentos de solidão, mas deles voltar e ter alguém para nos receber, com todos nossos defeitos, loucuras e carências. Uma pessoa para nos entender e ser entendida. Para viver ao nosso lado, e não na nossa frente, para tropeçarmos a toda hora, ou atrás, para carregarmos como um peso.
Por tudo isso, e por outras coisas que estou descobrindo (entre elas que família é algo muito valioso, mesmo que seja bem pequena)... agora eu digo
"Sim!" ao casamento... e ao amor!