
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
Mudança

Fazer uma mudança mexe com a gente. Faz dois anos ou mais que me preparo para esta mudança, revirando gavetas e guardados, mas nunca é suficiente. A gente põe coisas fora, doa, separa, encaixota, mas vai remexer e sempre sai mais.
Encontrei... imaginem só! Escritos meus de quando era uma adolescente ou pós adolescente. Alguns queimei, outros guardei para meus blogs. Ou não. Da-ti-lo-gra-fa-dos, olha só, ou pterodactilografados... eu fiz curso de datilografia e me orgulhava da minha Oliveti Lettera. Foi lá que tudo começou...
Dez anos morando na mesma casa, não é fácil. Vivendo um momento bom, tentando olhar para a frente, para que as coisas melhorem ainda mais para mim e para as pessoas que amo. Mas é inevitável olhar para trás e já sentir saudades do que estou deixando...
E como a gente guarda coisas que não usa! Roupas, porque são boas... mas saíram de moda! "Mas a moda sempre volta..." ficamos tentando nos enganar. Livros de faculdade... como se a ciência já não tivesse dado mil e uma voltas em cima de tudo aquilo! E como se eu fosse estudar neles ainda...
Meus discos de vinil vou deixar com uma pessoa que também os adora e que desde criança os coleciona com toda dedicação. Não tenho onde os escutar e não investiria nisso agora. Mas vou guardar fitas cassete com músicas que não consegui baixar ainda... não encontro! Coisas de uma quarentona...
Minha filha não consegue se desfazer de seus brinquedos e de todos os cadernos desde a escolinha... Eu tenho umas caixinhas que forrei de tecido quando tinha uns 16 anos, e, mudança vai, mudança vem, limpezas são feitas, e as coisas vão sendo reorganizadas, mas lá estão as caixinhas...
"Quem guarda o que não quer, encontra o que precisa." Queria poder ter uma casa que acomodasse essa filosofia. Mas vou para uma casa menor, minha finalmente. Vou precisar de outras coisas. A vida corre. Espero chegar lá, e quando for abrir as caixas, jogar mais coisas fora ainda. Somente ficarão as lembranças. Essas são um tesouro precioso, depois que toda a poeira e o lixo forem jogados fora nessa mudança.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Pudim

"Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação...
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de "fácil").
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em "acertar", tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo "errado". Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora...'
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos??) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro, um sofá para eu ver 10 episódios do "Law and Order", uma caixa de trufas bem macias e o Brad Pitt, nu, embrulhado pra presente. OK ??
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz para consertar..."
(autoria desconhecida - a Martha Medeiros já declarou em
seu blog que não é dela, como circula por aí...)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Eu acesso o Mulher de 40

"Independente da idade a mulher quer - e precisa - estar no controle de sua vida.
Independente da idade a mulher quer ser bela, misteriosa e mística.
Não temos os super poderes dos superheróis, mas nosso dia-a-dia
nos faz grandiosas e insuperáveis.
Independente da idade, nosso destino nos pertence, ou guiamos ele
ou deixamos ele nos guiar. O importante é viver"
Twitter: @palavra_cigana
Blog: Palavra Cigana
Divulgação: Clube do Tarô
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“As cartas não ditam o destino, mas esclarecem os pontos a serem trabalhados e assimilados”
domingo, 11 de setembro de 2011
Jocasta Moderna: A mulher Climatérica do Século XXI
"A menopausa convida nossos importunos fantasmas a se porem a descoberto. Pede uma confrontação mais fundamental com o lado sombrio. (...) é um tempo para derramar as lágrimas pelo que foi, pelo que poderia ter sido e as lágrimas pelo que já não será."
(Strahan, 1994)
A mulher climatérica poderia ser psicologicamente comparada a uma adolescente? Quais suas expectativas para o futuro? Como o processo da perda da juventude e fertilidade afeta esta mulher? Existe atenção por parte dos poderes Federais, Estaduais e Municipais com programas sócio-culturais e de saúde coletiva específicos para esta mulher? Mas... Quem é essa mulher climatérica para nós?
Ela está na meia idade e vem, aparentemente, sendo cenário para sua família, para seu trabalho ....e vivendo através e por eles. Ou não? Isso é fato? Essa condição de cenário permanece no séc. XXI? Como essa invenção de “feminilidade” produzida e reforçada ao longo dos anos atua sobre esta mulher? Como o climatério encontra esta mulher e o que ela espera desse momento?
Objeto de investigações filosóficas desde a antiguidade, a diferença entre homens e mulheres é investida de uma enorme quantidade de saberes que procuravam encontrar na natureza dos gêneros alguma espécie de verdade sobre o ser.
A revista Época de setembro/2003 trazia na reportagem de capa : ETERNAMENTE JOVEM e uma frase chamou atenção: Velha é a vovozinha. Seria correto pensar que só as vovozinhas envelhecem? Em outubro deste mesmo ano , o Jornal televisivo Hoje da Rede Globo de Televisão apresentou a reportagem A chegada dos 40 anos.
Depoimentos de mulheres de diversos níveis socioculturais afirmavam : "Os 40 anos marcam a metade da vida [...]o grande medo é como vai ser a descida" (Ida Kublikowiski). Podemos dizer então que, uma mulher por volta dos 40 anos, estaria na metade de sua vida? Significaria que quase 50 % da vida dessa mulher se passa em declínio hormonal, sexual, social e psíquico?
No Brasil, a partir do final dos anos 80 início da década de 90 o climatério começa receber alguma atenção. Se havia relativo silêncio a respeito, por ainda ser tema tabu entre as mulheres, não deixava de ser uma questão relevante. Situando a menopausa como processo natural da vida da mulher, como de fato é , estava excluído dos programas de saúde coletiva e desqualificava a importância de uma assistência multidisciplinar com objetivo de melhora da qualidade de vida, optando claramente num primeiro momento pelo caminho da medicalização de mulheres poliqueixosas. Ou seja, tratava-se apenas o sintoma.
Em 1984, o Ministério da Saúde atendendo às reivindicações dos movimentos feministas da época elaborou o PAISM (Política de Assistência Integral à Saúde da Mulher). Seu texto descrevia ações educativas, preventivas de diagnóstico englobando assistência à mulher em clínica ginecológica, pré-natal, parto, puerpério, planejamento familiar, D.S.T. (Doenças sexualmente transmissíveis), câncer de colo de útero e mama, além de outras necessidades identificadas a partir do perfil da população. Só em 1993, o Ministério da Saúde incluiu orientações específicas sobre o climatério, com objetivo de "[...]universalizar os procedimentos em diversos níveis de atendimento, contemplando a melhoria dos indicadores de saúde[...]ao maior nível de atendimento sobre as modificações biológicas inerentes ao período do climatério, [...] propiciar adequada vigilância epidemiológica às situações de risco associadas." Os aspectos psicológicos e a sexualidade ainda não estavam contemplados.

Evidenciava o momento político, e naturalizando a exclusão dos desejos, dos sonhos de futuro, anseios de vida projetados pelas mulheres climatéricas, como se estivesse demarcando uma deadline para vida. Somente em 2004 o texto foi alterado visualizando a mulher como um ser biopsicossocial, incluindo e destacando a auto gerência sobre seu corpo e alertando sobre apelos da indústria farmacêutica com ofertas de eterna juventude.
Esta mulher precisa de um olhar psicológico para compreensão, transcendendo ao corpo físico, ao cultural, ao produzido e naturalizado. O que é comum encontrar? A super- vovó sublimada, dolorida, poliqueixosa ou a “loba” moderna devoradora de sua vida ou a executiva produtiva ou ainda uma versão moderna de Dona Benta? Joana D’Arc ou Thieta do Agreste? "Ninguém, aqui é puro anjo ou demônio, nem sabe a receita de viver feliz".
Escutando as histéricas, Freud começou a entender que havia um abismo entre a subjetividade das mulheres e a natureza feminina do pensamento iluminista. Pensou inicialmente que a cura para histeria consistiria em remetê-las de volta aos ideais de feminilidade que seus sintomas insistiam em recusar. A partir daí, todas as investigações que tentam fundar a diferença na anatomia tornaram-se obsoletas e pensar apenas nas condições pro criativas não desata o nó do significado da sexualidade. Mulher já saída da mãe (será?), da casa paterna, do primeiro namorado, da defloração e da menstruação. Casada ou não, sem filhos ou com eles já se indo...e os netos chegando... Procura no seu tempo, o re-conhecimento de si mesma.
Para Virginia Wolf "O tempo tem passado por cima de mim, é a aproximação dos quarenta. Que coisa estranha! Nada é mais uma coisa só” (Orlando, 1928). Esse sentimento de desconhecimento de si , o não reconhecer-se diante do espelho provoca uma angústia carente de escuta.
"(...)A crise tem mais a ver com as coisas que gostaria de ter feito e não fiz. Depois de certa idade você percebe que anda nas ruas e as pessoas não olham mais[...] Você olha para retratos antigos e pensa: puxa vida, eu era assim....!"
(Moema Toscano)
Se através do corpo (identidade física) vivemos e existimos em um dos aspectos de nossa identidade pessoal, então, tudo aquilo que o ameaça colocaria em risco nossa identidade psíquica?
Há séculos, a perda da capacidade reprodutora vem sendo associada à perda da feminilidade e da possibilidade de prazer sexual,uma espécie de crônica da morte anunciada. Trazer à luz sobre o sentimento psíquico de castração final e “irreparável” da mulher menopausada, investigar e analisar de forma crítica, as necessidades na vida da mulher climatérica tem sido cada dia mais valorizado com o aumento da expectativa de vida... Possibilitando uma qualidade de vida satisfatória e um re-encontro com o prazer de ser mulher através de cuidados psicológicos que atentem para esta mulher de forma holística e livre de juízos de valor , deixando longe a visão da poliqueixosa ...
Afinal... "Toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz... toda mulher se faz de coitada. TODA MULHER É MEIO LEILA DINIZ". (Rita Lee)
(Texto enviado por Yoneide Carmo - Psicóloga Clínica
Estudou Psicologia clínica na Universidade Gama Filho)
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
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