quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tarde demais para viver um grande amor?

História enviada pela leitora Mariana Cardoso
"Histórias foram feitas para serem contadas. E essa é mais uma história que veio à minha mente em uma noite de sono... Ela não é real para quem não a viveu. Jogar tudo para o alto e viver uma louca paixão? Ao mesmo tempo em que essa opção é mais alucinante e gostosa, pode ser considerada a maior loucura de suas vidas. Afinal quem é ela? Que direito ela tem de magoar os corações das pessoas ao seu redor? E quem são essas pessoas, que direito elas têm de impedir essa mulher de viver seu amor bandido? Muitas perguntas sem resposta, qual o verdadeiro caminho a seguir e o final da história dessa mulher vai finalmente corresponder ao desejo de seus corações.
Há 24 anos, Ana era uma adolescente que tinha perdido sua mãe e vivia em grandes conflitos interiores. Fazia parte de um grupo de amigos, apesar de seus problemas, namorava Toni, que era loucamente apaixonado por ela. Mas ela não poderia dizer o mesmo, guardava em seu coração um segredo, um amor que carregava por Jean, o namorado de sua melhor amiga.
Os dois viviam essa paixão secreta, na troca de olhares, vontade e desejo de estar juntos. Os anos se passaram, e eles ainda estavam presos a um amor que era possível, só bastava eles decidirem o certo a se fazer. Como iriam lidar com a angústia de Toni e Gabriela? Apesar de hoje acharem simples, o que o tempo não cura no coração dos jovens. Jean propôs a Ana que fugissem juntos, assim não teriam que olhar nos olhos de seus parceiros a dor de uma separação e uma enorme traição.
Ela recusou, jamais faria mal a alguém, preferiu sacrificar seu sonho de viver em paz com alguém que ama, para não magoar, ou envergonhar pessoas que ela também não deixava de amar. No final, ambos casaram. Casaram-se pensando um no outro, optaram por se afastar, mas ficavam pelos corredores, praças, trocando olhares, corações que clamavam um pelo outro.
A cada dia ficava insuportável a distância. Estava nascendo dentro dela uma necessidade de estar nos braços dele, uma vontade de beijá-lo, de viver mesmo que por horas uma loucura que faria valer a pena todo seu sacrifício de estarem longe todos aqueles anos. A ligação entre eles foi tão forte que não resistiram e se aproximaram.
Quando ela se deu conta já estava envolvida em seus braços, amarrada pelo cheiro do seu perfume, presa no seu olhar, seus sentidos acompanhando os movimentos de suas mãos escorregando por todo seu corpo. Com a força em que tirava cada peça e com a delicadeza de seus beijos por todo seu corpo... Sentia arrepios, ouvia sons, não queria sair daquele momento por nada. Sentia-se presa aos movimentos que ele fazia. O olhar apaixonado de um homem cheio de desejo a enlouquecia e a fazia querer que cada segundo fosse eterno.

Ela sentia que estava no lugar onde ela sempre deveria estar, naqueles braços fortes, que a seguravam com força, que a levantavam, que buscavam por ela, que tinham a sede de sentir sua macia pele, seu corpo, seu cheiro. Sua pele e o calor que ela transmitia faziam aquele momento ser quente, intenso, forte, excitante, mágico, lindo. Ela respirava fundo, engolia em seco, virava os olhos, e buscava a boca dele, beijando como se fosse a primeira vez.
Ao sair dali, parecia ter vivido em outro mundo, sem acreditar que foi real. Que depois de tantos anos, ela finalmente pode amar e sentir aquela pessoa que ela sempre desejou. Mas... Ao chegar a casa, viu seu marido a esperando com um grande sorriso de braços abertos, com saudade. Sua filha sentada e os admirando. Seria difícil definir o sentimento de horror que ela sentiu. Estava impura, enganando, magoando, ferindo dois outros corações inocentes, que viviam em sua volta, que estavam presentes em todos os momentos. Que viveu na dor e na alegria. Tomava banhos, porque ainda sentia o cheiro daquela noite, chorava se sentindo impura. Seu coração se recusava a se arrepender de um momento lindo, tão mágico, mas a outra parte se sentia egoísta em destruir três corações.
Acabar com aquilo que ela mesma teve a opção de não construir anos atrás. E agora? Existiam mais pessoas envolvidas, mais corações que se partiriam. Seria egoísmo largar tudo e viver seu amor? E sua filha? Seu marido que vivia por ela, que buscava agradar, amar de todas as maneiras que ele encontrava. Porque ela não o amou? Não encontrara nele defeitos, era bom, companheiro, amigo... Mas ela o fazia infeliz por sua incapacidade de amá-lo como ele merecia. Pois mesmo assim ele estava lá.
Sem desistir de viver ao lado dela. E se sentia mais culpada quando sua amiga vinha compartilhar que Jean não queria ter filhos. Ana sabia que ele queria que ela fosse a mãe de seus filhos. Como olhar nos olhos de sua amiga, a angústia e a pressão aumentavam a cada dia que passava, vivia sufocada naquele silêncio, e culpada por ter se entregado a uma paixão que deveria ter morrido há muito tempo.
Hoje, completa 24 anos em que olha pela janela, em que a lágrima escorre em seu rosto, quando a saudade bate e junto com o vento vem o cheiro do perfume dele. Ela fecha os olhos e lembra exatamente cada segundo vivido ao lado dele. Ela não o deixou de amar, mas aprendeu que o amor traz paz ao coração. Entendeu que ambos desperdiçaram suas oportunidades por covardia e depois seria tarde demais para serem corajosos.
São 24 anos de uma história que com certeza ainda não chegou ao fim, nem sempre o fim é de acordo com o que desejamos, mas isso não significa que não seja um final feliz. O que adianta ser feliz só para ela? E não para aqueles que bem ou mal a ajudaram construir uma vida enquanto Jean também vivia com sua esposa?
A vida é feita de caminhos. Escolha hoje o que você quer desfrutar no amanhã. Não tenha medo de se arrepender, e voltar atrás antes que seja tarde demais para viver seu grande amor!"

5 comentários:

Mariana Cardoso disse...

Nossa! Que lindo, obrigadaa pela oportunidade, rs.
Beijos, espero que as pessoas gostem, rs
Beijos

Mônica disse...

Quem gostou desse conto vai gostar também do filme Cartas Para Julieta que vi ontem. Escrevi sobre no Coisas de Valor
http://realvalor.blogspot.com/2010/06/namorando-vida.html
Abs.

@mcs18 mariana cardoso disse...

Tbm escrevi sobre esse filme no meu blog: www.bymarianacardoso.wordpress.com
beijos!!!

Eduardo Dalla Costa disse...

Viver é amar e amar é escolher, dependendo da sua escolha serás ou não feliz, mas escolhas podem ser ilusões e só saberemos se a fizermos e é claro sem ter a certeza de que a escolha será a certa.
Portando, viva, corra, grite, fale, beije, ame, tudo isso hoje com a consciência tranquila que você esta escolhendo seu destino dê certo ou não.

joanamaria disse...

Adorei o conto,acredito que todos devem viver seus sonhos,procurar realizar seus desejose fantasias pois isso faz parte da vida e sem sonhos perdemos a capacidade de apreciar melhor a vida,quanto ao filme cartas para Julieta eu assisti e amei,uma historia maravilhosa,um abraço

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