segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As loucas

Estou lendo mais um livro de Marion Zimmer Bradley, "O Incêndio de Troia". Adoro suas histórias fascinantes, que se passam em eras remotas. Ela conta histórias famosas pelo ponto de vista das mulheres que as viveram. Assim, em "As Brumas de Avalon", ela conta a vida do Rei Arthur sob um ponto de vista totalmente diferente - o da sacerdotisa Morgana.
Em "O Incêndio de Troia", ela fala do matriarcado. Um tempo em que as mulheres de algumas tribos ainda viviam sob suas próprias leis, livres e sem a presença masculina. Apenas procuravam os homens quando chegava a época da procriação. Kassandra, a protagonista, sofre desde criança com seu poder de prever o futuro. Ninguém quer ouvir suas profecias.
"Sempre o meu destino; falar a verdade
e apenas ser considerada louca." (p. 13)
No decorrer da leitura, me deparo com o eterno dilema feminino de ser independente ou não, e por quê. Algumas mulheres do livro insistem em ser livres, são caçadoras e não aceitam que um homem determine suas vidas ou seus reinos. Outras buscam o amparo e a proteção do homem, por meio de casamentos, muitas vezes arranjados. Leiam um diálogo entre duas mulheres do livro, cada uma defendendo seu modo de vida:
" - Por que se perturba tanto com o fato de algumas das suas mulheres terem preferido viver como todas as mulheres nas cidades? Vocês poderiam viver muito bem com maridos para (...) tomar conta de seus cavalos, (...) não precisariam passar todo o tempo lutando para se defender. Muitas e muitas mulheres vivem assim e não acham nada de errado nisso. Está querendo me dizer que todas estão erradas?" (p. 277)
" - Não gosto de viver entre paredes... e por que deveríamos fiar, tecer e cozinhar? Se os homens usam roupas, por que não deveriam fazê-las? E os homens também comem; por que as mulheres devem preparar toda a comida? (...) Então por que as mulheres devem viver como escravas dos homens? (...) As mulheres fazem essas coisas como se fosse uma troca por partilhar suas camas e gerar seus filhos." (p. 278)
Claro, é uma discussão bem radical sobre depender ou não de homens, e hoje se daria em termos diferentes. Buscamos um meio termo entre as duas coisas; o que as mulheres querem, em geral, é ter um companheiro para repartir os bons e maus momentos, repartir as despesas e também as atividades domésticas, compartilhar a criação dos filhos e os programas de sábado à noite. (Será? rsrsrs...)
Voltando à frase inicial de Kassandra, muitas mulheres
ainda são consideradas loucas. Mas por pensarem
e quererem diferentemente das outras.
Desde que comecei a descrever aqui no blog minhas dúvidas e questões sobre relacionamentos, casamento, rebeldia, busca da felicidade, tenho recebido mensagens de muitas mulheres passando por situações parecidas e com questionamentos parecidos. Muitas, como eu, passam pelo inferno dos tratamentos para depressão, transtorno bipolar e outros rótulos diversos, talvez tão difundidos em parte pela pressão social de ser igual à maioria.
Como nos sentimos diferentes desde cedo, acabamos vivendo em um pêndulo de emoções. Ora buscamos tratamento para sermos "normais", ora vivemos intensamente nossas "loucuras" e o que elas nos levam a fazer. Como encontrar um meio termo? Como encontrar as decisões certas em cada crise da vida? Até que ponto decidir sozinha e até que ponto deixar que alguém simplesmente "cuide" de nós?
Eu confesso que às vezes tenho vontade de me enfiar debaixo das cobertas e só acordar quando tudo tiver sido decidido por outras pessoas. Às vezes também me sinto como um cavalo livre para correr e podendo tudo o que eu desejar. São as coisas da vida. São os pensamentos... de uma louca?
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3 comentários:

LEO disse...

Gabem gosto muito de ler sobre a história dos lugares e das pessoas...
Ah um convite
Vamos Fazer uma entrevista para o seximaginarium?
Léo.seximaginarium.gmail.com
Bjsss

eva mooer disse...

Acho que sempre que tomamos alguma atitude diferente da tradicional da época,somos consideradas loucas.Acho que pela coragem,e força que precisamos ter para fugirmos da normalidade(aparente).Conforme nossas experiências amadurecem,nossas necessidades mudam e tomamos atitudes para satisfazê-las por isso o certo é ir mudando porque somos seres em construção e precisamos de coisas diferentes em diferentes momentos da vida.Ma um fato é e sempre será.A mulher ~pode viver só por momentos, mas não todos eles.A solidão bate,mesmo que tenhamos todas as necessidades físicas solucionadas.A espiritual pede por um companheiro para que possamos compartilhar sentimentos.
Gostei muito do seu post....

Casal SC disse...

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