domingo, 11 de abril de 2010

Dona de casa


Ultimamente ando passando por problemas profissionais que estão me abalando demais. A ponto de ter que tomar ansiolíticos, faltar ao trabalho e - o mais grave de tudo - pensar em desistir de tudo.
Meu trabalho atual não foi minha opção vocacional, acabei fazendo o concurso depois que tive minha filha e senti necessidade de ter uma renda fixa. Mas com o tempo passei a gostar do que faço, porque sempre acreditei que a gente deve gostar do que faz pois nem sempre pode fazer o que gosta.
Contratempos a gente sempre tem, em qualquer trabalho neste mundo. Até Gisele Bundchen deve ter. Sempre temos colegas que jogam areia, outros que ajudam e se importam, e o objetivo do trabalho acaba sendo cumprido na medida de nossas possibilidades.
Voltando no tempo, lembrei daquela menina que subia em uma cadeira ao lado do fogão para aprender a cozinhar. E aprendi sozinha, pois minha mãe não tinha tempo para me ensinar, só me dava uns toques. E cozinho bem quando quero, modéstia à parte.
Também observava ela costurando, ela era costureira... e aprendi também, quando ela viajou um dia, na volta eu tinha feito uma mini saia linda para mim com restos de uma calça jeans. Nem ela sabia de onde eu havia tirado o modelo do bolso embutido que inventei para a tal saia!
Sempre tentei conciliar a vida profissional com a vida de dona de casa. Mesmo quando era solteira, estudante... sempre fui caprichosa e organizada, hoje em dia tenho até planilha no Excel com as contas do mês. E tenho também um caderno de receitas de capa dura cheio de fotinhos de bolo e pratos diversos colados, igualzinho ao que minha mãe tinha!
Até que ponto vale a pena a gente sair de casa, ganhar um dinheiro pra gastar ao fim do dia... que termina sempre antes do fim do mês rsrsr? Realizar um trabalho onde não somos valorizadas e onde somos jogadas de um lado para o outro como peças de um tabuleiro de xadrez? Onde uns são favorecidos e outros pagam o pato?
Sinceramente... minha filha me valoriza muito mais. Nunca me arrependi de ter priorizado o contato com ela em detrimento da minha verdadeira vocação. Talvez eu tenha sido fraca ao desistir de minha vocação. Acomodada mesmo. Hoje me arrependo, aliás hoje ando me arrependendo de muitas coisas erradas. Pra isso vivemos, não é mesmo? Para aprender, e sem arrependimentos não há aprendizagem... muito pouco aprendemos com os erros dos outros.
E hoje é um daqueles dias que duvido que alguma mulher não tenha passado... dia de querer ser apenas uma dona de casa, ou no máximo trabalhar meio período. Cozinhar, estender roupa - nem precisamos mais lavar como nossas mães, mais uma vantagem! Fazer um bolo delicioso, receber amigos para o chimarrão, para o jantar, tricotar - também faço isso muito bem!
Esperar o marido cansado ao fim do dia com um abraço e um carinho, o lanche na mesa... esses dias mesmo reclamava disso... Mas hoje, neste exato momento, e passando pelas aflições profissionais que tenho passado, meus pesos e minhas medidas estão mudando. Já tinha postado um texto que me enviaram sobre isso.
Quando penso em quantos anos faltam para me aposentar parece uma eternidade. Eu que sempre disse que ia trabalhar até morrer. A idade nunca vem sozinha... Estou cansada. Cansada de correr atrás e não resolver nunca. Cansada de ser tratada como lixo. Detalhe: sou professora. Não preciso comentar mais.

13 comentários:

humbertomasp disse...

OI! Já tentou criar algumas roupas? Você é criativa e parece que herdou o dom da sua mãe. A moda hoje está muito valorizada no Brasil. []s

Mulher de 40 disse...

Obrigada, sugestões são super bem vindas!!!

Érica Lenita Blog´s disse...

É... realmente, ser professora não é nada fácil, ainda mais nos dias de hoje onde os alunos parecem não receber certa educação em casa. Ou melhor, a família acha que a educação básica tem que vir da escola e não da família. Não falo sobre aprender a ler, escrever... mas aprender a respeitar os outros.

Quando eu era criança, queria muito ser professora... talvez ainda realize essa vontade mais pra frente... ainda tenho vontade.

Aproveito para lhe parabenizar, pois é uma tarefa onde se precisa ter vocação! E na medida do possível, sabemos que vocês são "show" no que fazem!

Beijos, querida!

Nana disse...

Meus pais foram professores e lembro como eles viviam estressados. Realmente não é fácil. Mas sempre é tempo de mudar. Hoje eles tem outras profissões em que se sentem bem mais realizados.

Talvez por ver o exemplo deles, uma das coisas que pensei quando escolhi minha profissão foi: "qualquer coisa que não envolva dar aula". hehehe

Mara disse...

Caramba!... parece até quem fui eu quem escreveu esse texto!! Fui lendo e me sentindo dentro... também estou passando exatamente pelo mesmo momento...e quando cheguei ao final e li que vc é professora..fechou!!... Eu também sou e também estou cansada!
Parabéns pelo texto.

Crazy disse...

Te entendo completamente, e todos os dias me pergunto se as mulheres estão realmente mais felizes hoje em dia, trabalhando, do que eram antigamente. Tá certo q ter q depender economicamente do marido é péssimo. Mas ir para o trabalho TODO SANTO DIA, passar mais tempo com os colegas de trabalho do que com a família e os amigos, a sensação de passar a maior parte da sua vida fazendo obrigações na maioria das vezes chatas e muitas vezes não ter tempo nem para um cinema ou para o lazer, enfim, tempo para si próprio... é extremamente frustrante pensar q nossa vida se resume a isso...
sei lá, penso em algum dia largar a toalha e deixar meu marido me sustentar, terei o maior prazer em recebê-lo todos os dias com o jantar na mesa

Callas disse...

Tive várias reações ao ler este seu texto.
Te sacudir p/ vc não pensar besteiras, te dar um abraço p/ lhe dar força, passar umas receitinhas terapêuticas e chorar junto, pq eu me identifiquei muito com seus reveses.
Caríssima, como a leitora acima tbém sou professora. Atualmente faço doutorado, por isso estou de licença. Mas sem apoio institucional.

Em 1o. lugar: em 2008 cheguei numa situação de stress limite, portanto cuide-se. Não deixe estes sintomas se agravarem. Ainda sigo um tratamento básico, tudo pq desci ao fundo do poço.
2o.: esta crise - que não precisava ser tão grave - serviu p/ que eu tivesse coragem de acabar com um casamento falido, fazer um projeto e passar no doutorado, que eu estava há anos enrolando.
3o: p/ quem não veio ao mundo a passeio, nada é em vão. A gente tbém carrega as dores das nossas escolhas e, das nossas mudanças. Vc tem uma filha e eu adoro cças, devido à crise no casamento, não tive. Veja que vc está em vantagem rs. Eu tenho 40, mas ainda acho que é possível.
4o.: olha, eu tbém tenho meus dias de "quero um marido que me sustente". Eu só gosto de lembrar que tenho amigas que pagam um preço caro por esta dependência. Ser independente custa caro, mas a liberdade não tem preço. Vc entende, não é? Não falo da liberdade de estar sozinha, mas de estar c/ alguém e saber que, aconteça o que acontecer, vc não ficará na rua da amargura. Aquela mulher das imagens que vc colocou, corria este risco o tempo todo.
5o.: eu tbém não fui profa. como 1a. opção, eu tbém tenho várias frustrações, pois sou criativa, inventiva etc e, é isso mesmo, somos um no. - não p/ nossos alunos - mas p/ as instituições nas quais trabalhamos.
6o.: o leitor do 1o. comentário tem razão. Fazer o que gostamos ajuda mto. É que a gente acha que c/ esta idade é difícil, não é? Eu não tenho nenhuma perspectiva c/ o doutorado, ando cheia de dúvidas, mas quem sabe começar a fazer algo paralelo possa ser uma boa saída p/ gente descobrir no que é boa mesmo, no que a gte sabe fazer - nós esquecemos, não é mesmo? Sem a cobrança de mudar de vida, quem sabe ai não acontece?
7o.: por fim, acho que no fundo estamos falando de coisas existenciais mesmo. Há um momento em que somos nós, só nós tentando impor limites, nos entender, redescobrir do que gostamos. E não é uma bebedeira, ou uma trepada, ou a exaustão do trabalho que vai resolver. Acho que qdo nos avizinhamos dos 40, a necessidade de nos autoconhecermos é maior, e é difícil, mas acho que só é possível assim.

M40, desculpe por tantas palavras, mas ao falar p/ vc, estou falando p/ eu mesma. E ademais, qdo descobrimos simpatias nos preocupamos c/ as pessoas. Gostei de vc desde o seu comentário sobre a Fernanda Young rsrs.
Ah, e lembre-se que vc tem um blog (estou louca p/ ter um!) e pode escrever e compartilhar coisas que, ao final vc descobre não serem privilégio seu. Isso nos fortifica.
Mas uma coisinha: o poema "Eros e Psique", do Fernando Pessoa, que vc baixa fácil pela web, acho que nos ajuda a entender um tanto essa história do caminho do autoconhecimento.`
É porrada, mas nada que uma mulher forte não aguente.
Sinta-se abraçada e desculpe pelos excessos, mas seu espaço é aconchegante, eu já lhe falei.

Mulher de 40 disse...

Callas,
poderia ficar te lendo a noite inteira, muitíssimo obrigada, o blog é mesmo uma válvula de escape e ao mesmo tempo um ponto de encontro, o que me fortifica quando nada mais parece adiantar, e quando não aguento mais encher os ouvidos dos que me são caros...
Escreva sempre e muito, e sempre será bem vinda, convido-a inclusive a escrever artigos para o blog e até uma coluna sua, se desejar!!!
Beijos!!!

Nanda Lima disse...

A cada dia que passa eu me convenço de que ser mulher é realmente muito difícil. Fomos ensinadas desde pequenas que a mulher deve cozinhar, cuidar da casa e dos filhos (enquanto os garotos brincam com carrinhos e espadas brincamos com bonecas e panelinhas). Mas a sociedade de hoje de certa forma exige, TAMBÉM, que estudemos bastante e alcancemos o sucesso profissional. Uma jornada dupla, ou mesmo tripla. Eu não sou casada, mas já trabalho e prevejo como será minha vida daqui há alguns anos. Li seu post e me imaginei em seu lugar. Não sei o que dizer, nem acho que tenho direito de aconselhar uma mulher mais madura e sábia que eu. Mas desejo-lhe paz de espírito e muita perspicácia para resolver esse impasse. Bjs

Ich, Hausfrau disse...

Estava passeando pelos blogs e encontrei o seu, me identifiquei muito com o seu post... penso todos os dias como era bom ser só dona de casa e fazer tudo o que vc descreveu no texto... hoje, passo nervoso com as coisas do trabalho até quando to dormindo... morro de vontade de pedir demissão e poder voltar a minha vidinha de antes... mas me falta coragem... =(

Tiago Buckowsky Xavier disse...

Sou historiador e deixei de dar aulas por necessidade financeira. Hoje tenho uma empresa de engenharia elétrica (assunto do qual não entendo absolutamente nada) que vai bem financeiramente. Acontece que o trabalho de escritório me deixa mais entediado do que nunca. Sinto falta dos alunos, dos debates, da sala de aula, dos papos sobre cultura e literatura...
Sinto falta do que sou. Falta do que é minha essência, que se escondeu sob uma mesa de escritório e calou-se diante de planilhas e documentos.

Anônimo disse...

Estava procurando consolo nos blogs e encontrei esta materia...Uma dica minha amiga, sou uma mulher de 40, que larguei o emprego e segui o marido, faz alguns meses que estou em casa, fazendo uma comida gostosa, esperando o marido com chimarrão, tricotando.. parece maravilhoso...Mas só no começo, mesmo meu trabalho sendo um M.... faz falta, faz agente se sentir viva, se sentir útil...e em casa, por mais que faça ..nunca é notado, nunca é o bastante , sempre é a dondoca que passa o dia fazendo nada!
Sei que ser professora não é fácil! mas pode crer minha amiga, estar rodeada de pessoas que podem aprender com vc é um exemplo de vida, e qdo parar vai querer voltar!
Grande abraço e boa sorte!
PS: continua escrevendo..gostei deste blog.
Uma amiga dona de casa recente.

Caue disse...

Acho que o ponto principal disso tudo é: FILHOS. Se os tem fique em casa e ajude-os a crescer depois sim siga a vida profissional normalmente ... Eu daria tudo para ficar em casa vendo as primeiras palavras, primeiros passos e primeiros tudo deles enquanto minha esposa passa o dia inteiro no trabalho e chega em casa doida para fazer amor e comer minha comida até não poder mais, Independência ? Um casal para mim é dois que formam um, e não um que carrega o outro ...
Sou a favor desse modelo tradicional, um fica em casa (pode ser o homem, porque não) e cuida dos filhos e o outro da parte financeira, depois de grandes ai sim os dois equalizam isso

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